Homenagem

Bárbara Penna recebe o Título de Cidadã de Porto Alegre

  • Período de Comunicações em homenagem ao Dia da Mulher e de outorga do Título de Cidadã de Porto Alegre a Barbara Penna de Moraes Souza. Na foto, a homenageada
    Bárbara (c) durante a sessão ordinária desta tarde na Câmara Municipal(Foto: Ederson Nunes/CMPA)
  • Período de Comunicações em homenagem ao Dia da Mulher e de outorga do Título de Cidadã de Porto Alegre a Barbara Penna de Moraes Souza.
    Vereadora Karen, Bárbara, e deputadas Fernanda e sofia(Foto: Ederson Nunes/CMPA)

A Câmara Municipal de Porto Alegre, em homenagem ao Dia Internacional da Mulher, celebrado na última sexta-feira (8/3), concedeu o Título de Cidadã de Porto Alegre à Bárbara Penna de Moraes Souza. A homenageada foi espancada, queimada e empurrada do terceiro andar de um prédio pelo ex-companheiro, em novembro de 2013; e, desde então, passou a atuar em defesa de mulheres vítimas de violência. Proposto pela ex-vereadora Fernanda Melchionna (PSol), a cerimônia, que ocorreu durante a sessão ordinária desta segunda-feira (11/3), no Plenário Otávio Rocha, contou com a presença da proponente, da ex-vereadora Sofia Cavedon (PT), e foi conduzida pela vereadora Karen Santos (PSol) e pelo presidente em exercício Reginaldo Pujol (DEM). 

“Me sinto obrigada a fazer o trabalho que eu faço”, iniciou Bárbara ao relatar, inicialmente, na tribuna do Plenário, que há pouco estava internada na UTI por conta, ainda, de problemas cardíacos. “Eu não tive oportunidade, na época, e meus filhos morreram”, falou Bárbara ao considerar a importância do trabalho que ela passou a desenvolver. “A partir da minha voz muitas coisas conseguiram ser evoluídas, eu posso ajudar outras pessoas e gerações”, reforçou ao concluir seu agradecimento pela homenagem recebida. 

Vereadoras

“O dia 8 de março vem sendo pautado como um dia de homenagens as quais são importantes”, relatou Karen ao saudar a data e a homenageada, mas enfatizou que, “ao mesmo tempo, também é um momento de denúncias e há pouco a se comemorar”. A vereadora trouxe à tona exemplos: “somos as principais afetadas pelo desemprego; recebemos 20% a menos, mas trabalhamos 20 horas a mais por semana”, destacou ao corroborar a relevância de políticas feministas. “A nossa tarefa, enquanto feministas, é conseguir articular o que nos segrega”, disse. Além do mais, Karen sublinhou a necessidade da educação que não seja sexista. “Somos o quinto país, no mundo, que mais violenta mulheres”, grifou. 

Na oportunidade, a proponente Fernanda observou que, como ex-vereadora e durante todos os mandatos passados na Câmara de Porto Alegre, ela indicou poucos títulos. "Não gosto de contar a história da Bárbara, porque é triste e emocionante", falou ao se posicionar à homenageada como um  "símbolo da força e da resistência das mulheres". "Bárbara perdeu os dois filhos, teve 40% do corpo queimado e se tornou uma defensora cotidiana das mulheres a partir do seu exemplo", apresentou Fernanda. "Agora ela dedica a sua vida para que mudemos esse quadro de violência", comentou a ex-vereadora ao expressar dados importantes. "Desde 2019, 127 mulheres já tiveram suas vidas roubadas pelo machismo, pelo patriarcado, pelos que dizem que mulher é propriedade de homem", informou. "Mas é graças a pessoas como a Bárbara, que dedicam as suas vidas, que outras mulheres não passam pelo mesmo", agradeceu a deputada federal. 

Para a deputada estadual Sofia, “o estupro é uma cultura produzida na formação dos jovens”, mencionou. Ao complementar os dados trazidos pela ex-colega Fernanda, Sofia comunicou dados estaduais de 2018, levando em conta as mulheres de todas as faixas etárias. “Mais de 21 mil mulheres sofreram abuso físico, mais de 1.700 foram estupradas, 117 foram mortas, e 355 só não foram mortas por que o assassino não conseguiu”. A deputada deixou nítido que, “o rompimento disso, é falarmos com a juventude: ou fazemos esse trabalho, ou vamos perder mais mulheres”, salientou. 

História

Em novembro de 2013, Barbara Penna de Moraes Souza, na época com 19 anos e mãe de duas crianças: Isadora, de 2 anos e 7 meses; e Henrique, de 3 meses, decidiu acabar o relacionamento com seu ex-companheiro. Por não aceitar o término, ele espancou Bárbara até que ela desmaiasse. No instante do desmaio, enquanto as crianças dormiam, ele acendeu um fósforo e jogou sobre ela depois de lhe ter enxarcado com álcool. Com o corpo em chamas e clamando por socorro na janela do prédio onde morava, Bárbara foi empurrada do terceiro andar e levada para o hospital em estado gravíssimo. As duas crianças morreram queimadas.

Texto: Bruna Schlisting Machado (estagiária de Jornalismo)
Edição: Helio Panzenhagen (reg. prof. 7154)

Tópicos: Violência contra MulheresDia Internacional da Mulher