- Atualizada em 29/03/2018 09:32

Cece avalia instalação dos Bombeiros no Cete

Usuários do espaço esportivo demonstram apreensão com os planos para a área no bairro Menino Deus

Reunião sobre a construção de unidade do Corpo de Bombeiros no CETE – Centro Estadual de Treinamento Esportivo. Vereadores na mesa: Reginaldo Pujol, Tarciso Flecha Negra, Cassiá Carpes e Alvoni Medina
Os vereadores prometeram ampliar o debate com a comunidade(Foto: Ederson Nunes/CMPA)

A Comissão de Educação, Cultura, Esporte e Juventude (Cece), da Câmara Municipal de Porto Alegre, discutiu, nesta terça-feira (20/3), a construção da unidade do Corpo de Bombeiros no Centro Estadual de Treinamento Esportivo – Cete. O debate ocorreu na sala de reuniões do Legislativo e contou com a presença de representantes de entidades esportivas e parte da corporação de bombeiros para esclarecer o projeto no local.  

Para explicar o motivo da obra, o subcomandante-geral do Corpo de Bombeiros, coronel Evaldo Rodrigues de Oliveira, disse que se trata de uma ação do governo do Estado, que pretende vender o Ginásio da Brigada Militar e o terreno onde ficam a escola e o comando do Corpo de Bombeiros – ambos localizados na Avenida Silva Só - para abertura de duas novas casas prisionais. Com a proposta do governo de construir uma nova escola dentro do Cete, o coronel afirmou que, diante da situação, o local será adequado para melhorar as estruturas de trabalho com instalações mais modernas que comportem os trabalhos da instituição. “O Corpo de Bombeiros está apenas aproveitando uma oportunidade que foi possibilitada”, esclareceu. O projeto, desenvolvido em conjunto com a Brigada Militar, engloba a estrutura do centro esportivo com prédios a serem construídos no estacionamento do local, uma piscina semiolímpica, um tanque de mergulho, além da torre de controle administrativa. O valor total do investimento seria R$ 25 milhões. De acordo com Oliveira, a transferência para o bairro Menino Deus se faz necessária porque a sede na Avenida Silva Só se encontra inadequada para realização das atividades da entidade, por se tratarem de prédios muito antigos.  

A fim de reforçar a necessidade de realocação da unidade para o espaço esportivo, o tenente-coronel Rodrigo Dutra argumentou que a cidade precisa tanto do esporte como os serviços de emergência. Ele defendeu o uso compartilhado do local, para que a comunidade possa continuar frequentando o Cete mesmo com a presença dos bombeiros. “É preciso um controle de acesso para áreas de risco”, alertou Dutra em relação aos equipamentos usados nas atribuições da instituição. Conforme ele, a mudança da sede dos bombeiros é natural com o crescimento da cidade. “O quartel concluiu um ciclo de 60 anos [no antigo local]. Hoje a área é inadequada”.    

Celso Piaseski, diretor de esporte da Secretaria de Desenvolvimento Social e Esporte, demonstrou preocupação em relação ao projeto e as federações esportivas gaúchas, que de acordo com ele, foram desalojadas pela gestão municipal anterior, e que hoje habitam lugares insalubres dentro do centro esportivo. “É um momento também para se pensar em uma compensação para o esporte amador”, disse.

O coordenador do Cete, Ernani Campelo, assegurou que atualmente todas as federações foram devidamente realocadas. Representando também a Secretaria Estadual de Cultura, Turismo e Lazer, Campelo afirmou que, em outubro do ano passado, o local passou por uma vistoria técnica realizada por autoridades da segurança pública. Ele também levantou a questão de acesso dos usuários e dos bombeiros no Cete. “É preciso ter a certeza de compartilhamento de espaço”. Segundo ele, o Cete possui 20 modalidades esportivas, e recebe em torno de três mil pessoas ao dia que executam suas atividades físicas. 

Moradores 

Já para Rodrigo Tomazelli, da Assessoria Esportiva do Cete, o receio da concretização do projeto é o Corpo de Bombeiros restringir normas, como impedir a sociedade de usar a pista de atletismo. “Pois diversas vezes a pista está fechada para uso da Brigada Militar. O Cete é para uso de todos”, frisou. Tomazelli ainda ressaltou seu apoio ao Corpo de Bombeiros, mas acredita que a possibilidade de execução do projeto tem de ser revista. Em sua observação, a obra vai comprometer o estacionamento, o que prejudica pessoas que vem de fora do bairro para utilizar o centro.

Na opinião do morador e usuário do Cete, José Fonseca, o espaço é entendido como um lugar público e democrático. Quanto à circulação de bombeiros e a comunidade local, o morador disse não acreditar nesta viabilidade. “Não vai dar para misturar”. Para ele, largar uma sede de bombeiros para a especulação mobiliária é um atentado contra o município.

Dentro da mesma ideia, José Paulo Barros, presidente da Associação dos Moradores do Bairro Menino Deus, criticou a ideia de compartilhamento do espaço, pois, segundo ele, o que irá acontecer será o sucateamento do esporte. “Com o tempo o Corpo irá restringir o uso dos moradores”, disse, solicitando uma pausa no projeto para que se possa abrir mais o debate sobre o assunto.

Vereadores 

Cassiá Carpes (PP), responsável por trazer a questão à comissão, acredita que há muitas áreas para a realocação do Corpo de Bombeiros que podem ser aproveitadas. Apesar de não ser absolutamente contra a obra, o vereador defendeu uma conversa mais aberta com a comunidade. “A sociedade precisa saber claramente o que vai acontecer”, declarou.

Reginaldo Pujol (DEM) afirmou que todas as entidades presentes são importantes para a cidade e acha oportuno que o projeto não esteja consolidado. “É importante que haja discussão. Espero que tudo se resolva da melhor forma possível”, afirmou.

Sofia Cavedon (PT) manifestou sua preocupação com a segurança. Pois, conforme a vereadora, a cidade está cada vez mais sem espaços esportivos, e recuar os já existentes é triste para Porto Alegre.

Em defesa do esporte para formação do cidadão, Tarciso Flecha Negra (PSD) relatou sua luta pela não extinção da Secretaria Municipal do Esporte. “Esporte é saúde, companheirismo, socialização”, disse, ao lamentar a falta de espaços públicos voltados para prática de atividades físicas. Para ele, o esporte está vinculado a educação e segurança.

Os vereadores Marcelo Sgarbossa (PT) e Alvoni Medina (PRB) também estiveram presentes na reunião.

Encaminhamentos

Conforme os vereadores, a Comissão realizará outras reuniões para que o debate possa ser ampliado com a comunidade e representantes do governo estadual.

Texto: Munique Freitas (estagiária de Jornalismo)
Edição: Claudete Barcellos (reg. prof. 6481)