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Cedecondh alerta sobre riscos da Aids

  • Comissão debate o crescimento dos índices de HIV.
    Vereadores propõem a recriação de uma Frente Parlamentar para discutir o tema(Foto: Leonardo Cardoso/CMPA)
  • Comissão debate o crescimento dos índices de HIV. Ao microfone, Luiz Lunardi, representando a Fonte Colombo. Ao fundo, o vereador Moisés Barboza e a vereadora Lourdes Sprenger.
    Frei Luiz Carlos Lunardi (ao microfone) disse que doenças de sífilis, aids e tuberculose têm índices assustadores(Foto: Leonardo Cardoso/CMPA)

Alertar a população sobre os riscos do HIV foi a proposta da Comissão de Defesa do Consumidor, Direitos Humanos e Segurança Urbana (Cedecondh) da Câmara Municipal de Porto Alegre em reunião ordinária realizada na manhã desta quinta-feira (11/7). A transmissão vertical da Aids, que é quando a mãe infecta seu bebê, foi destacada por Adriane Friedrich, técnica da Secretaria Municipal de Saúde da Capital, como um dos índices que o município conseguiu reduzir. “A criança é acompanhada por 2 anos. Conseguimos baixar de 3% para 2,4% esse tipo de contágio”, ressaltou, alertando ainda há várias gestantes que abandonam o tratamento. “Lamentavelmente, no final de 2018 tivemos um caso de uma criança infectada no aleitamento materno”, disse.

A profissional apontou ainda que nos últimos 15 dias passou por momentos estressantes em razão da falta de medicamentos. “Já regularizamos a situação dentro das maternidades que estão sobre gestão dos municípios”, celebrou.  Caroline Zacarias, coodenadora interina do programa Infecções Sexualmente Transmissíveis da prefeitura ressaltou a implementação do tele-monitoramento HIV e da tuberculose implementado em 2019. “Acompanhamos desde o diagnóstico até a vinculação no serviço de atenção primária e especializado, além de monitorarmos os coinfectados. Também auxiliamos o paciente a ter uma melhor vinculação e serviço e depois acompanhamos se o paciente segue com o tratamento e se está tendo acesso a outros serviços necessários”, relatou.

Caroline  também afirmou que as populações vulneráveis também são alvo de ações extra-muros. “Temos consultório itinerante. No dia 27 de julho, por exemplo, faremos, no viaduto da Alberto Bins, uma ação conjunta com a ONG Cozinheiros do Bem. Além disso, disponibilizamos vale-transporte para as pessoas que estão em tratamento. Estamos nos esforçando para que a população não fique desassistida”, destacou.

Representante da entidade Monte Colombo, que atende doentes de aids em 60 bairros de Porto Alegre, frei Luiz Carlos Lunardi disse que se preocupa com a falta de um coordenador para o programa. “Doenças de sífilis, aids e tuberculose têm índices assustadores. Um infectado gera um desgaste na rede. Já se passaram três meses para ter uma pessoa que gerencie, pois ela que define, articula e encaminha”, ponderou. De acordo com o frei, é preciso pensar também ações que contemplem a Grande Porto Alegre. “Precisamos compreender que somos base para pessoas que vivem ao redor. Fortalecer e restabelecer a rede de cuidado é urgente já que qualquer aspecto que seja negligenciado pode ser mortal”, afirmou, alertando que a capital é a líder nacional em pessoas com maior índice de HIV. “Isso onera o município, traz mais preocupação e trabalho para a sociedade civil. É preciso ter um programa articulado entre estado e município”, finalizou.

José Hélio de Freitas, representante do Conselho Municipal de ISTS, salientou a falta que faz uma coordenação para o programa. “Como ficam as políticas de HIV e hepatite, por exemplo? E as políticas de prevenção? É uma situação difícil, pois estamos enfrentando dificuldades com a falta de medicamento para as mães e crianças portadoras”, denunciou. Ele ainda elucidou que a sífilis é uma epidemia no RS e em todo o Brasil e que desde 2017 houve uma diminuição da compra de medicamentos. “Precisamos do apoio da Casa do Povo, pois não existem mais grupos de risco, qualquer um pode ser vítima”, concluiu.

Vereadores

Lourdes Sprenger (MDB) saudou o debate de um tema com enfoque nos direitos humanos. “Surpreende doenças que estavam erradicadas voltarem com tanta força. Peço que façam uma apresentação formal com todas as ações e informações para saber onde encaminhar a população”, disse. Joao Bosco Vaz sugeriu unificar frentes parlamentares para acompanhar portadores de doenças raras e a falta medicamento. “Também quero sugerir que as equipes multidisciplinares dos postos incluam um profissional de Educação Física”. O Brasil patina na questão da saúde, disse Luciano Marcantonio. “É difícil construir uma política nacional. Vamos tentar construir uma frente única”, afirmou.

Ao final do encontro, o presidente da Comissão, vereador Moisés Barboza (PSDB), informou que, como encaminhamento, solicitará ao Executivo municipal a definição da coordenação do programa, o apoio e fortalecimento da rede, bem como, via Legislativo, seja recriada a frente parlamentar do HIV.

Texto

Lisie Bastos venegas (reg.prof.13.688)

Tópicos:sexualmente transmissíveisAdriane FriedrichAidsHIV