- Atualizada em 17/03/2017 16:31

Comunicação Temática fala sobre Mulheres e Trabalho

Tema: Mulheres e trabalho. Na foto: a advogada Maíra Motta.
Advogada disse que reforma da previdência prejudica mulheres(Foto: Carolina Andriola/CMPA)

A participação feminina no mercado de trabalho foi o tema discutido no período de Comunicação Temática desta quarta-feira (15/3) na Câmara Municipal de Porto Alegre. Esta é a segunda comunicação dedicada às mulheres, que durante o mês de março terão o período disponível para debater suas temáticas.

Quatro mulheres, especialistas em suas áreas, foram convidadas para falar sobre aparência, economia, carreira e previdência social. A consultora de imagem Aline Klemt fez um retrospecto histórico da moda feminina desde o início do século passado, explicando que “cada peça de roupa determina os valores preponderantes em uma época”. Ela também mostrou algumas figuras femininas importantes na política, como Margaret Thatcher, Angela Merkel e Hillary Clinton, apontando a importância de a aparência estar alinhada com aquilo que a mulher quer representar. “A imagem possui um discurso e através dela conseguimos entender o que a pessoa quer transmitir. Ela é uma ferramenta essencial para a criação da marca pessoal”, ressaltou.

A consultora financeira e dona da empresa de gestão pessoal e empresarial Mulher Capital, Kelly Possebom, deu dicas sobre as melhores opções de investimentos e contextualizou a participação feminina no cenário econômico. “Atualmente, as mulheres possuem um bom poder financeiro, mostrando que são muito capazes de enfrentar as adversidades da economia”. No entanto, apesar dos avanços dos últimos anos, ela apresentou alguns dados que demonstram que ainda há muitos pontos de desigualdade: “três em cada quatro idosos pobres são mulheres; o padrão feminino cai em até 70% no primeiro ano de divórcio; e as mulheres ganham 30% menos que os homens que ocupam o mesmo cargo”. Por isso, Possebom reiterou que as mulheres precisam lutar e trabalhar para conquistar um futuro financeiro seguro. 

Irene Galeazzi, socióloga responsável por várias publicações sobre mulher e trabalho pela FEE, falou sobre a importância da inserção de mulheres no mercado de trabalho. Ao mencionar a revolução no século XX que proporcionou uma entrada massiva de mulheres no mercado, a socióloga comparou conquistas do momento atual, como aumento no número de mulheres que hoje chefiam seus lares, conquista impulsionada principalmente nos movimentos de mulheres nos anos 1960 e 1970. "As dificuldades que as mulheres enfrentam na sociedade, a valorização precária, a situação de serem discriminadas em atividades menos qualificadas que remuneram menos, isso afeta na capacidade de desempenho no cotidiano". Diante destas questões, ela ainda concluiu falando da importância da luta pela equidade de gênero no mercado de trabalho.  

“Temos muitas mulheres no mercado de trabalho, mas não teremos muitas na previdência social” se forem aprovadas as propostas da reforma previdenciária, afirmou a advogada especialista em direito previdenciário Maíra Motta. Para ela, a “previdência é uma política pública de distribuição de renda que tem a finalidade de diminuir as desigualdades”. Segundo uma pesquisa do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), 47,3% das mulheres que estão trabalhando não irão se aposentar com as novas regras por não conseguirem cumprir os 25 anos de contribuição. “Elas estão sempre em cargos precarizados ou não conseguem dar continuidade ao emprego por terem que cuidar da família”, explicou. Motta ainda defendeu o fato de as mulheres se aposentarem cinco anos mais cedo que os homens porque elas somam oito horas a mais de trabalho por semana em função dos afazeres domésticos. “Em 22 anos, essas horas fecham cinco anos. Nada mais justo que se aposentar antes. Não estamos falando de um privilégio, mas de tentar tratar igualmente os desiguais”, encerrou.

Parlamentares

Os vereadores da Capital também expuseram seus comentários sobre o assunto:

Monica Leal (PP) concordou com a exposição da consultora financeira Kelly Possebom falando que só é possível “alcançar a independência emocional quando se tem a independência financeira". A vereadora ainda comentou que a participação das mulheres na política é acanhada, apesar delas representarem 52% dos eleitores, e questionou por que menos mulheres são eleitas, se mais estão se candidatando. “Os partidos precisam olhar mais para as mulheres na política. Eu não tenho dúvida que o lugar da mulher é aonde ela quiser”.

Comandante Nádia (PMDB) parabenizou as palestras das convidadas que abordaram as formas de como a mulher vem atuando. Ao abordar sobre a questão da segurança pública, a vereadora disse que a mulher que sofre dentro de casa não sai do ciclo de violência doméstica sem ingressar no mercado de trabalho. Ela também saudou todas as mulheres que trabalham na Câmara e disse como sente prazer em tratar sobre os temas que envolvem mulheres. 

Fernanda Melchionna (PSOL) agradeceu o momento de debate na Câmara no mês que simboliza a luta das mulheres e falou como veio forte o movimento no dia 8 de março. Em crítica à reforma da previdência, Melchionna fez o chamamento para um protesto a ser realizado na tarde desta quarta-feira. “Sabemos que as mulheres sofrem mais com a precariedade de salários”. O não reconhecimento da dupla jornada da mulher, a cultura machista que ainda coloca a mulher nos principais cuidados domésticos também foram assuntos abordados por ela. “Ainda é uma realidade brutal que se impõe às mulheres”. De acordo com ela, é um período de devastação de direitos.  

Sofia Cavedon (PT) falou a respeito da luta das mulheres, reforma da previdência e mudanças na educação. Conforme ela, a reforma não pode ser feita para responder à crise econômica. Criticando também as medidas tomadas para a educação no país, condenou o congelamento de gastos sociais determinado para os próximos 20 anos. “Neste debate queremos dar conteúdo a uma luta que não é corporativa, mas pela qualidade de vida da população”.  

Também trazendo ao debate a luta da mulher e a reforma da previdência, Adeli Sell (PT) falou que o trabalho na roça é o que mais preocupa nesta questão. “O trabalho na lavoura é diferenciado, é muito difícil e tem que ser tratado de outra forma na previdência”. Sobre a questão de igualdade entre homens e mulheres, disse ser “a favor de cotas, pois as mulheres têm que ter espaço para que um dia não tenham essas diferenças. A mulher ainda tem uma função na sociedade de muita exploração”.

Dr. Thiago (DEM) elogiou o Centro de Referência do Hospital Presidente Vargas, que atende mulheres vítimas de violência sexual. “É uma visão inovadora de atendimento, com uma equipe multidisciplinar, que deveria ser projetada em todo o Rio Grande do Sul”, disse ele. O vereador também tratou sobre o planejamento familiar. “A possibilidade de as mulheres escolherem de forma livre e consciente quantos filhos terão não pode ser negligenciada”, atestou.

Considerações Finais

No final do período de comunicações, as convidadas deixaram suas considerações finais aos presentes. A advogada Maíra Motta disse que a sociedade precisa debater de forma consciente como funciona o sistema previdenciário. “Se queremos uma sociedade em que homens e mulheres se aposentem na mesma idade, é preciso discutir questões como a remuneração e os cuidados com a saúde”, declarou. Para a socióloga Irene Galeazzi, é preciso reforçar as políticas públicas de apoio à qualificação da mulher. “Também devem ser feitas campanhas junto às empresas contra certos preconceitos, como a maternidade”, completou.

Por sua vez, a consultora de imagem Aline Klemt reiterou a relevância do uso da imagem para a comunicação. “Ela é fundamental para todos que defendem certos valores e segmentos. O discurso precisa estar alinhado com o que se pretende demonstrar, e a imagem é um diferencial”, salientou. Por fim, a consultora financeira Kelly Possebom salientou que é importante refletir sobre o uso das finanças. “Dinheiro é poder, como verbo e como adjetivo”, resumiu.

Texto: Cleunice Maria Schlee (estagiária de Jornalismo)
           M
unique Freitas (estagiária de Jornalismo)
          Paulo Egídio (estagiário de Jornalismo)
Edição: Marco Aurélio Marocco (reg. prof. 6062)