Plenário

Existe uma doença motorizada no trânsito, lamenta Diza Gonzaga

Diza, da Fundação Thiago Gonzaga, falou sobre a Semana de Segurança no Trânsito Foto: Ederson Nunes
Diza, da Fundação Thiago Gonzaga, falou sobre a Semana de Segurança no Trânsito Foto: Ederson Nunes(Foto: Foto de Ederson Nunes/CMPA)
Existe uma "doença motorizada" no mundo e, para a sua cura, é preciso uma mudança de posicionamento público e a devida punição aos infratores do trânsito. A afirmação foi feita, nesta quinta-feira (14/5), pela presidente da Fundação Thiago Moraes Gonzaga - Vida Urgente, Diza Gonzaga, na tribuna da Câmara Municipal de Porto Alegre. Ela teve oportunidade de falar aos vereadores durante o período de Comunicações, que foi dedicado à Semana Mundial de Segurança no Trânsito, realizada todos os anos no mês de maio. A presidente da Fundação lembrou que a entidade representa a Organização das Nações Unidas (ONU) nas atividades da Semana. Diza informou também que, em novembro, a Fundação irá sediar a 2ª Conferência Mundial sobre Segurança no Trânsito, quando haverá oportunidade de se debater os números alarmantes de mortes no trânsito brasileiro.

Ela destacou que teve oportunidade de participar da 1ª Conferência Mundial de Segurança no Trânsito, realizada em 2009, em Moscou, capital da Rússia, e lá teve "a honra de representar o Brasil e mostrar os seus indicadores". Naquela conferência, contou, foi aprovada uma moção para que fosse instituída a Década de Ação de Segurança no Trânsito. Em 2011, começaram as atividades relativas à Década. Mas, ressalta Diza, atualmente não há motivos para festejar, pois o número de mortes no Brasil ainda é muito elevado. "Os números são de guerra. Somos campeões em mortes no trânsito, e o Brasil está entre os cinco países que mais matam no trânsito, vitimando, principalmente, os jovens", disse.

Saúde pública

Para Diza Gonzaga, a morte no trânsito está se tornando uma questão de saúde pública, devido ao número expressivo de óbitos a cada dia. "São 240 mortos por dia em todo o Brasil, e esta guerra tem matado mais de 50 mil brasileiros por ano. Sem contar aqueles que morrem tempos depois do acidente, o que acaba aumentando para 120 mil brasileiros mortos no trânsito a cada ano", alertou. A presidente lembrou que, no dia 11 de maio deste ano, iniciou-se uma ação mundial que pretende reduzir em 50% o número de mortos no trânsito. Diza apelou aos gaúchos que, segundo ela, são os condutores mais conscientes, em âmbito nacional, para que os cidadãos ajudem a mudar o panorama trágico de mortes no trânsito.

"A Fundação Thiago de Moraes Gonzaga completa, em maio, 19 anos de uma luta incansável em defesa da vida, e o que mais queremos é a mudança de postura no trânsito, para que ninguém mais tenha de sentir a dor de se perder um ente querido", disse. Diza destacou que é de extrema importância que a Câmara Municipal de Porto Alegre discuta a questão do trânsito como uma forma de proteção das vidas dos cidadãos da cidade. Para ela, está na hora de o parlamento municipal tratar a Década de Ação de Segurança no Trânsito com seriedade, sob pena de a cidade de Porto Alegre continuar a ser umas das campeãs em mortes no trânsito. 


Texto: Juliana Demarco (estagiária de Jornalismo)
Edição: Carlos Scomazzon (reg. prof. 7400)