- Atualizada em 07/11/2017 10:19

Frente Parlamentar vai ao MP garantir professores no Cete

Frente Parlamentar discutiu falta de professores no Cete Foto: Ramon Nunes
Frente Parlamentar discutiu falta de professores no Cete Foto: Ramon Nunes(Foto: )

Recorrer ao Ministério Público Estadual da Infância e da Juventude é a alternativa encontrada pela Frente Parlamentar de Educação Física para enfrentar a falta de professores no Centro Estadual de Treinamento Esportivo (Cete). Os cinco professores que estavam cedidos à instituição foram convocados para se apresentarem a seu órgão de origem, a Secretaria Estadual de Educação (SEC). De acordo com os funcionários, há 1,7 mil pessoas envolvidas na prática esportiva e, deste total, 1,1 mil são crianças, a maioria sem condições de pagar mensalidades em clubes e escolinhas. O encontro ocorreu nesta quarta-feira (10/9) no Plenário Ana Terra da Câmara Municipal.

Para o presidente da Frente Parlamentar, vereador Professor Garcia (PMDB), a “retirada destes professores para a rede estadual – que tem esta necessidade – faz parte de um esvaziamento que as atividades do Cete vem sofrendo há anos”, destacou. Garcia argumentou que para a população não interessa se os professores servem à Secretaria de Educação ou à de Turismo e Esporte. “A população quer e precisa deste atendimento, e isto tem que ser uma posição de Governo”, disse ele, que lamentou a ausência de representantes da Secretaria de Educação na reunião.

Responsável pelo Cete, o diretor-presidente da Fundação de Esporte e Lazer do Rio Grande do Sul (Fundergs), Carlos Finck, citou dados sobre o equipamento localizado no bairro Menino Deus e seus objetivos, como o fomento ao esporte em todo o Rio Grande do Sul. Quanto aos professores, Finck relatou que, ao receber o ofício da secretária de Educação, Mariza Abreu, solicitou a permanência dos mesmos no Cete. “Dos cinco professores, a secretária manteve apenas um profissional, que irá coordenar o Projeto 2º Tempo”, informou.

O presidente disse ainda que não contratou estagiários para substituir professores e, sim, para auxiliá-los. Segundo ele, já está em tramitação, com previsão para 2009, a realização de concurso público para a área. "Precisamos definir qual a finalidade do Cete, pois hoje ele é aberto a toda a população. Temos que rever o conceito”, pondera Finck. O presidente da Fundergs ponderou que iniciou tratativas com o vereador João Bosco Vaz (PDT), então secretário de esportes da Capital, para realizar parceria com o Município na administração do Cete. “Esta é uma parceria que pode revitalizar o espaço e proporcionar melhor atendimento à população. Vou ao encontro do prefeito em exercício Eliseu Santos”, registrou.

Um dos professores requisitados pela SEC, Luiz Afonso Gomes, falou que os usuários do centro são testemunhas do trabalho que se faz com as crianças. “Temos que trabalhar pela inclusão social. Mesmo com diversos projetos para o segundo semestre programados, recebemos convocação para nos apresentarmos, no prazo de três dias, para dar aula em escolas. O professor alerta para que seja “feito justiça” e que se cumpra o decreto-lei que deu origem à Fundergs e prevê que, enquanto não houver quadro próprio, a entidade utilizará os professores oriundos da SEC.

Opiniões

Segundo a presidente do Conselho Regional de Educação Física (CREF2-RS), Jeane Cazelatto, é preciso “vontade social” para administrar o Cete. “Nós, do CREF, não vamos permitir estagiários sem profissionais da área", relatou. Mãe de aluno do Cete, Elizabeth Costa apelou por uma solução: “As crianças não vão ter onde ficar. Não temos condições de pagar por isso”, emocionou-se. Magda Santos, mãe da ginasta Daiane dos Santos, disse que o Cete é o acesso da população pobre da cidade ao esporte. “Temos muitos atletas escondidos que não têm oportunidade. Estes professores que estão lá ministram aula de cidadania. Infelizmente, nossos governantes não estão atentos”, ressaltou.

Ricardo Queiroga, da ONG Movimento Cidadão, sugeriu a ida ao Ministério Público da Criança e da Juventude para solicitar a permanência dos professores. “Não adianta ficarmos de braços cruzados. O MP não irá deixar todas estas crianças sem atendimento até que se resolva o impasse dentro do próprio Governo”, ponderou.

Por deliberação dos participantes, o presidente da Frente Parlamentar da Educação Física, vereador Professor Garcia (PMDB), organizou um grupo para entregar a documentação ao Ministério Público, em que serão reunidas provas de que as crianças não podem ficar sem este atendimento. Fazem parte da Frente Parlamentar, além dos vereadores, integrantes do Cref2, Associação dos Profissionais de Educação Física (Apef), Fórum das Entidades de Educação Física, Associação de Pais e Mestres do Cete (Apamcete), além de pessoas físicas que defendem o Centro de Treinamento. Também participou da reunião o vereador Dr. Raul (PMDB).

Leonardo Oliveira (reg. prof. 12552)

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