- Atualizada em 21/03/2017 09:14

Jussara Prá recebe o título de Cidadã Emérita

  • Entrega de Título de Cidadã Emérita à Senhora Jussara Reis Prá. Na foto: Homenageada Jussara Reis Prá.
    Professora dedica seus estudos à luta pela igualdade de gênero(Foto: Josiele Silva/CMPA)
  • Entrega de Título de Cidadã Emérita à Senhora Jussara Reis Prá. Na foto: jornalista Vera Daisy, vereadora Sofia Cavedon e homenageada Jussara Reis Prá.
    Jussara recebe o diploma, ao lado de Vera Dayse e Sofia Cavedon (c)(Foto: Josiele Silva/CMPA)

A Câmara Municipal de Porto Alegre concedeu o Título de Cidadã Emérita à professora e pesquisadora da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (Ufrgs) Jussara Reis Prá, no final da tarde desta sexta-feira (17/3), no Plenário Otávio Rocha. Formada em Ciências Sociais pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS) em 1978, cinco anos depois Jussara apresentou a dissertação de Mestrado em Ciências Políticas na Ufrgs e obteve o título de Doutora em Ciência Política pela Universidade de São Paulo (USP) em 1992. A homenagem contou com a presença de familiares, colegas de trabalho, orientandos e amigos da professora, bem como da presidente do Conselho Municipal da Mulher (Condim), Vera Dayse Barcellos.

“Vocês são todos os que eu gostaria de ver nesse momento. Essa homenagem é fantástica, não tenho palavras para agradecer”, destacou a nova Cidadã Emérita de Porto Alegre. Jussara Prá, nascida em 1950, contou que sempre quis estudar algo que fizesse sentido para poder fazer a diferença. Por isso, ela dedica seus estudos à luta feminina contra a violência machista, pelos direitos sexuais e reprodutivos e pela igualdade no trabalho. “A questão da mulher parece dura e difícil de mudar, mas foi com a nossa luta que conseguimos transformar algumas coisas”.

A professora relembrou que, há algum tempo, disseram-lhe que ela era uma “acadêmica confiável”, que consegue conversar dentro e fora da academia sem banalizar o conhecimento nem tornar a aula uma panfletagem. “Hoje é inquestionável a importância do debate acadêmico sobre os assuntos femininos porque ainda precisamos avançar muito no entendimento dos direitos das mulheres”. Como exemplo, ela citou que as trabalhadoras da Islândia, considerado o país mais feminista e com maior igualdade de gênero, fizeram uma greve em 2006 que iniciava às 14 horas e 38 minutos. “Era a partir desse horário que elas começavam a trabalhar de graça, pois recebiam 17% menos que os homens”, contou ao reiterar que “mesmo na Islândia, a igualdade salarial só deve chegar em 2068”.

Violência contra a mulher

Segundo a pesquisadora, o Brasil é o campeão mundial em violência contra a mulher, feminicídio e mortalidade materna. “Ainda temos muito o que avançar. Já conquistamos os direitos do ponto de vista formal, garantido nas leis, mas falta fazer com que eles ocorram na prática, passando de uma noção abstrata de igualdade para chegar numa noção concreta de direitos.” Por fim, Jussara comentou sobre a morte da amiga e socióloga Lícia Peres dizendo que ela deixará saudades. “Ela estará sempre no nosso coração. Salve, Lícia!”.

Sofia Cavedon (PT), proponente da homenagem, relatou os motivos que levaram Jussara a receber o título, falando sobre os reflexos importantes que a educação produz na sociedade, principalmente na luta pela igualdade. "As mulheres estão puxando a resistência deste país, e a Jussara é um símbolo de libertação feminina através da educação." A vereadora citou os embates enfrentados na luta pela educação de gênero nos âmbitos municipal, estadual e nacional. Destacou também, o engajamento da homenageada na luta feminista e a sua presença no Seminário de Educação e Gênero realizado pela Procuradoria da Mulher, no qual se discutiu um currículo que seria capaz de ajudar a romper o sexismo nas escolas. "Precisamos de Jussaras fazendo a nova formação, um novo conhecimento que supere essa discriminação brutal de gêneros. Precisamos de mulheres entrando no trabalho e nos espaços de poder".

Texto: Munique Freitas (estagiária de Jornalismo)
          Cleunice Schlee (estagiária de Jornalismo)
Edição: Carlos Scomazzon (reg. prof. 7400)