Plenário

No Dia do Estudante, Câmara destaca luta em defesa da educação

  • Homenagem aos Estudante e em Defesa da Educação. Na foto, vice-presidente da União Nacional dos Estudantes do RS, Gabriela Silveira.
    Da União Nacional dos Estudantes do RS, Gabriela Silveira falou em nome dos estudantes ao plenário(Foto: Débora Ercolani/CMPA)
  • Homenagem aos Estudante e em Defesa da Educação. Na foto, vereador Adeli Sell.
    Reflexão pela data foi proposta pelo vereador Adeli Sell(Foto: Débora Ercolani/CMPA)

O período de Comunicações da sessão plenária desta segunda-feira (12/8) da Câmara Municipal de Porto Alegre destacou o Dia do Estudante. A homenagem foi proposta pelo vereador Adeli Sell (PT), que ressaltou a importância dos estudantes ao longo da história brasileira em defesa da democracia e de avanços sociais. Representantes de entidades representativas de estudantes participaram da sessão.

"Os estudantes brasileiros estiveram sempre na vanguarda da luta pela democracia. Foi nas faculdades de Direito, no final do século 19, que nasceu a luta pela República." Depois disso, lembrou o vereador, vieram as campanhas pelo direito de voto das mulheres, em defesa do petróleo e de combate à ditadura militar. "Os estudantes foram os primeiros a a sair às ruas pelas Diretas Já, pelo impeachment de Collor e, mais recentemente no governo Bolsonaro, em defesa das verbas para a educação."

Adeli observou que agora, diante cortes brutais de verbas às universidades e ataques às liberdades, os estudantes e educadores têm papel fundamental na luta pela educação. "A presença hoje dos estudantes aqui é para mostrar a todos que marcamos na Câmara este dia de luta pela educação. Hoje, estudantes que representam entidades com visões políticas diferentes estão unidos na Câmara em favor da educação brasileira, uma educação livre, que respeite as diferenças, sem censura e sem perseguição a alunos e professores."

Estudantes

Gabriela Silveira, vice-presidente da UNE no Rio Grande do Sul, afirmou que gostaria de celebrar o Dia do Estudante falando sobre conquistas, mas que é preciso falar das grandes mobilizações para evitar retrocessos. “Infelizmente temos um presidente e um ministro que atacam universidades, a educação pública e todo o ensino superior”, afirmou. Em alusão à afirmação do presidente da República de que as universidades são espaço de balbúrdia, a dirigente estudantil destacou a produção de conhecimento gerada nas instituições. “A balbúrdia que fazemos dentro da Ufrgs é ajudar as universidades a serem responsáveis por 90% de toda a pesquisa que é produzida no Brasil”, afirmou.

Lembrando que a UNE “completa 82 anos em defesa da educação e do desenvolvimento do nosso país”, Gabriela citou campanhas lideradas ou com participação da entidade, os “caras pintadas”, “o Pré-Sal é nosso” e o enfrentamento à ditadura militar. “Falaram aqui em liberdade. Queremos liberdade na educação e por isso somos contra o Future-se, um projeto que visa acabar com a autonomia universitária”, afirmou. A militante estudantil ainda convidou os presentes a participarem da terceira mobilização nacional pela educação, que será realizada nesta terça-feira (13/8), com o objetivo de protestar contra os cortes na área e contra o projeto Future-se.

Vereadores

ATAQUES - Alex Fraga (PSOL) lamentou que a educação seja o setor mais atacado atualmente por políticas que trazem retrocesso a nossa sociedade. "Deveria ser um dia de alegria, de comemorações, mas se torna uma data de luta." O vereador observou que Porto Alegre também vive tempos obscuros. "A cidade já tem um alto índice de evasão escolar. Mesmo assim, tramita na Casa projeto do Executivo que visa acabar com a concessão do meio-passe estudantil a uma parcela dos estudantes da Capital. Isso vai agravar a evasão. "Deveríamos hoje celebrar com alegria o Dia do Estudante, mas o que vemos são estudantes em luta, combatendo os retrocessos." (MAM)

MOBILIZAÇÕES - Karen Santos (PSol) declarou apoio às mobilizações desta terça-feira (13/8) de estudantes e educadores reivindicando direito à educação, emprego e aposentadoria. "Este tripé está sendo atacado pelo governo federal. As públicas estão sendo precarizadas. E o contingenciamento de R$ 400 milhões imposto pelo governo federal aprofunda o fosso entre escolas públicas e privadas." Karen lembrou que nos últimos anos houve um boom de ingressos no ensino superior, mas lamentou que nenhum projeto para empregar os novos profissionais oriundos das faculdades tenha sido desenvolvido. "Vemos jovens saindo do país em busca de oportunidades no exterior ou então sendo submetidos no Brasil ao ao trabalho precário ou ao desemprego." (MAM)

MOVIMENTOS - Roberto Robaina (PSol) espera que a manifestação nacional desta terça-feira (13/8) seja tão importante quanto as dos dias 15 e 30 de maio deste ano. "Com certeza, centenas de milhares de jovens irão às ruas neste dia 13 de agosto. O mês de agosto, aliás, é marcado por grandes movimentos estudantis. Foi num 16 de agosto que os estudantes saíram pela primeira vez às ruas pedir o impeachment de Collor." Robaina reforçou a manifestação de Adeli Sell de que os estudantes são a vanguarda na defesa da democracia. "Nossa juventude mais uma vez está disposta a lutar por educação, cultura e liberdades individuais." (MAM)

INVESTIMENTO - Airto Ferronato (PSB) apontou o investimento em educação como “único caminho para o desenvolvimento social e econômico de uma nação”. O vereador ainda citou países asiáticos que “investiram substancialmente na educação” e colheram como frutos um grande avanço no desenvolvimento industrial e econômico. Para Ferronato, o Dia do Estudante deve ser uma data de luta, tendo em vista, principalmente, os cortes do governo federal nos recursos destinados ao ensino superior e à educação básica, citando, como exemplo, o recente bloqueio de quase R$ 350 milhões na produção, aquisição e distribuição de livros didáticos para a educação básica. (ALG)

LIBERDADE - Valter Nagelstein (MDB) afirmou que “educação por si só não basta para se fazer um país desenvolvido”. Citou o caso de países que têm alto índice de alfabetização, mas que não conseguem desenvolver-se economicamente. “Temos acordo de que educação é fundamental, mas só ela não produz resultados de justiça social e oportunidades que a juventude”, afirmou, apontando a necessidade de um sistema de economia livre. Para o vereador, a educação não está sendo atacada, pois governos anteriores também cortaram recursos para o setor. “O que está sendo atacado é uma visão política, não a educação”, afirmou. (ALG)

ESCOLARIDADE - Mauro Zacher (PDT) disse perceber “a confusão que se faz para alguns que se dizem liberais, que usam a tribuna muitas vezes para defender o estado mínimo, a eficiência do serviço do Estado, mas que não conseguem ter clareza sobre a teoria que defendem”. Afirmou que o que move os liberais é o aumento da produtividade, a qual decorre do “aumento da produtividade da classe trabalhadora”. Disse ainda que o motivo para o Brasil ainda não ter atingido esta alta produtividade é justamente a baixa escolaridade. “Se temos uma dívida com a nação brasileira é com educação”, afirmou. (ALG)

MEIO-PASSE - André Carús (MDB) destacou a necessidade de foco nas questões essenciais à educação e criticou o corte de recursos na área. “As guerras ideológicas tiraram lugar de temas como autonomia universitária, assistência estudantil, investimento na universidade pública gratuita”, afirmou. O parlamentar citou a criação, em 2017, por iniciativa do seu mandato e por sugestão de entidades como Umespa e Uges, da Frente Parlamentar em Defesa do Meio-Passe. Para o vereador, a retirada ou restrição do benefício “é nada mais nada menos do que tirar o jovem de dentro da sala de aula”. Ele informou, ainda, que o governo municipal tem se mostrado sensível ao tema e disse acreditar na retirada do projeto. (ALG)

Texto

Marco Aurélio Marocco (reg. prof. 6062)
Ana Luiza Godoy (reg. prof. 14341)

Edição

Helio Panzenhagen (reg. prof. 7154)