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Situação das escolas de inclusão em Porto Alegre é debatida na Cece

Reunião para discutir a situação das escolas de inclusão no município. Na foto, os vereadores, Mauro Zacher, Engenheiro Camassetto, Professor Alex Fraga, Alvoni Medina e Cassiá Carpes.
Vereadores da comissão ouviram relatos de representantes da Atempa e do Conselho de Educação(Foto: Bernardo Speck/CMPA)

A Comissão de Educação, Cultura, Esporte e Juventude (Cece) da Câmara Municipal de Porto Alegre se reuniu com agentes do município, na tarde desta terça-feira (14/5), para discutir a situação das escolas de inclusão na capital. O evento, que foi conduzido pelo presidente da Comissão, vereador Prof. Alex Fraga (PSOL), contou com a presença de cidadãos interessados e professores da rede municipal de ensino. Fraga destacou que escolas foram visitadas e, a partir disso, constatou-se  a falta de profissionais habilitados, estagiários, monitores, materias, estrutura física adequada e alimentação nestes estabelecimentos.

Para a representante da Associação dos Trabalhadores em Educação Municipal de Porto Alegre (Atempa), Cindi Sandri, o acúmulo de obrigações que as quatro escolas especiais da cidade têm tido, nos últimos anos, é desumano. "A população poderá voltar a ser invisível", considerou ao lembrar que, antigamente, pessoas com necessidades especiais permaneciam em casa e, por isso, não eram vistas e, tampouco, tinham uma rotina escolar. "As escolas estão em locais de vulnerabilidade social", destacou. Ela também mencionou que os profissioanais precisam desenvolver o trabalho deles com qualidade; que as salas de integração e recurso necessitam existir; e que a acessibilidade arquitetônica é essencial. 

"Têm pessoas em que o nível de complexidade da deficiência é maior do que daquelas crianças ou adolescentes que possuem Síndrome de Down ou o Transtorno  do Espectro Autista (TEA)", mencionou a presidente do Conselho Municipal de Educação (CME), Isabel Letícia Pedroso de Medeiros. Ela expressou as múltiplas deficiências presentes na realidade das escolas e disse que muitos precisam de um atendimento maior, como, por exemplo, o auxílio para ir ao banheiro. "É muito difícil alguém de porte pequeno carregar uma pessoa maior", lamentou. "Quanto mais cedo essa população que não tem outra condição, senão a escola pública, entrar nesse meio, melhor será o desenvolvimento dela", considerou Isabel. 

Vereadores

Prof. Alex Fraga lamentou a ausência da Smed - que foi convidada -, na reunião. "A lei determina a educação para crianças com alguma deficiência, mas temos percebido que a falta de recursos humanos afetam esses serviços", lastimou ao afirmar que a "Smed reluta para colocar profissionais em atividade". Por fim, o vereador avaliou a importância de um diagnóstico e, por consequência, um planejamento eficiente. 

Eng. Comassetto (PT) destacou a escassez de recursos, que é conhecida por todos. "Mas temos um olhar aí", disse. "Uns enxergam a educação como gasto; outros, como investimento", considerou. Contudo, Comassetto trouxe à baila a questão orçamentária. Contou que o orçamento que mandam para a Câmara, é fictício. "Prefiro que o caixa fique no vermelho e a sociedade no azul", opinou.

Nas palavras do vereador Cassiá Carpes (PP) "no Brasil, em geral, as prefeituras cada vez mais aplicam em educação. Em Porto Alegre, temos professores que ganham bem". Ele enfatizou, contudo, que não se pode olhar a questão da educação ideologicamente e disse que os profissionais que vivem dentro das escolas também precisam ajudar. "Temos que começar a construir e acatar prioridades", argumentou. 

Na reunião, além dos vereadores mencionados, também estavam presentes os vereadores Alvoni Medina (PRB), e Mauro Zacher (PDT).

Texto

Bruna Schlisting Machado (estagiária de Jornalismo)

Edição

Helio Panzenhagen (reg. prof. 7154)

Tópicos:Conselho Municipal de EducaçãoAtempaInclusãoEscolas Especiais