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Setembro Amarelo motiva discussão sobre políticas públicas de combate ao suicídio

Reunião da Cosmam foi realizada na manhã desta terça-feira na Câmara Municipal

  • Comissão debate Setembro Amarelo, o mês de conscientização sobre suicídio.
    Entidade que trabalha pela preservação da vida, CVV atende interessados pelo telefone 188(Foto: Leonardo Cardoso/CMPA)
  • Comissão debate Setembro Amarelo, o mês de conscientização sobre suicídio. Na foto, Adriana Costa, voluntária do CVV.
    Adriana Costa, da CVV, disse que a melhor forma de prevenção é pela educação(Foto: Leonardo Cardoso/CMPA)

Em alusão ao Dia Mundial de Prevenção ao Suicídio, lembrado nesta terça-feira (10/9), e ao Setembro Amarelo, a Comissão de Saúde e Meio Ambiente (Cosmam) da Câmara Municipal de Porto Alegre discutiu, em reunião nesta manhã, a realidade das políticas públicas voltadas ao tema. Representante e voluntária do Centro de Valorização a Vida (CVV), Adriana Costa informou que a entidade recebe aproximadamente 20 mil ligações todos os dias: "o saber ouvir é fundamental, pois falar é a melhor solução para quem passa por depressão”.

Adriana destacou que a campanha do Setembro Amarelo iniciou no Brasil em 2014, e que o suicídio passou a ser considerado um problema de saúde pública, motivo pelo qual atualmente existe o Comitê Estadual de Prevenção ao Suicídio para pensar em políticas públicas. “As razões podem ser bem diferentes, porém, são muito mais comuns do que imaginamos. E podem ocorrer por fatores de depressão, bipolaridade, alcoolismo, drogadição, síndrome do pânico, esquizofrenia, entre outros”.

Uma das formas de prevenção é pela educação: conscientização de nunca julgar e sim ouvir, como disse Adriana. “É preciso não ter medo de falar sobre o assunto, derrubar tabus e compartilhar informações ligadas ao tema”. Segundo ela, em uma sala com 30 pessoas, pelo menos cinco já pensaram em suicídio. Conforme dados, no Brasil são registradas entre seis e sete mortes por suicídio por 100 mil habitantes, bem abaixo da média mundial, de 13 e 14 mortes por 100 mil habitantes. Mas o que preocupa é que, enquanto a média mundial permanece estável, esse número tem crescido no Brasil, salientou Adriana.

A voluntária do CVV lembrou ainda que, conforme a Organização Mundial de Saúde (OMS), 90% dos casos podem ser evitados, desde que existam condições mínimas para oferta de ajuda voluntária ou profissional. “A maior faixa etária é de 15 a 25 anos e entre os idosos também, mas tudo isso pode ser evitado com atenção, e um olhar atento dentro da nossa própria casa, ou no trabalho. A solidão é o principal fator, por isso é sempre bom ter alguém por perto”, explicou.

Depoimentos

O vereador José Freitas (REP) destacou já ter vivido este problema na juventude e disse ter encontrado forças na fé e em alguém que ouviu o seu problema. “As pessoas precisam buscar ajuda, eu encontrei na igreja, onde recebi apoio espiritual. Pessoas dispostas a ajudar, como o trabalho que a CVV realiza, são fundamentais”.

Paulo Brum (PTB), outro vereador que também deu seu depoimento, disse ter passado pelo mesmo problema quando tinha 18 anos, após acidente de carro. Ele ressaltou que o apoio da família é fundamental. “Sempre tive o apoio de toda a minha família, principalmente da minha mãe e esse foi fator preponderante para eu conseguir me recuperar”.  

A vereadora Cláudia Araújo (PSD) lembrou de uma amiga que lhe procurou em tempos de dificuldades para desabafar e durante a conversa lhe contou do trabalho realizado pela CVV e da importância de se buscar ajuda. “Todos nós podemos ser voluntários com as pessoas que estão próximas da gente. Isso traz um resultado significativo”.

Encaminhamento

Como encaminhamento, o vereador André Carús (MDB), presidente da Comissão, juntamente com os vereadores da Cosmam, deverão encaminhar ofício à Mesa Diretora da Câmara solicitando a iluminação em amarelo do pórtico do Legislativo municipal durante o mês de setembro, como forma de conscientização do combate ao suicídio.   

Também estiveram presentes na reunião desta terça-feira na Cosmam o vereador Hamilton Sossmeier (PSC) e a representante da Secretaria Municipal de Desenvolvimento social e Esporte, Beatriz Piccoli.

CVV

É uma Organização Não Governamental (ONG), sem fins lucrativos que foi criada em 1970 em Porto Alegre. Atualmente existem no Brasil 110 postos com três mil voluntários que recebem capacitação durante três meses. A base do trabalho realizado pela CVV é o sigilo e o anonimato.

O Centro possui atendimento gratuito pelo telefone 188, 24 horas, e também mantém dois grupos de apoio em dois Centros de Atenção Psicossocial (Caps) na capital. Mais informações em www.cvv.org.br

Texto

Priscila Bittencourte (reg. prof. 14806)

Edição

Helio Panzenhagen (reg. prof. 7154)

Tópicos:Telefone 188CVVSetembro Amarelo