Sessão ordinária / Comunicações, Grande Expediente e Lideranças
Mariana Lescano (PP) (Foto: Johan de Carvalho/CMPA - Uso público, resguardado o crédito) Giovani Culau (PCdoB) (Foto: Fernando Antunes/CMPA - Uso público, resguardado o crédito)
Nos períodos de Comunicações, Grande Expediente e de Lideranças da sessão ordinária da Câmara Municipal de Porto Alegre desta segunda-feira (31/3), os vereadores e as vereadoras de Porto Alegre pautaram os seguintes tópicos:
MILITAR - Coronel Ustra (PL) relembrou o dia 19 de março, data que marca a “Marcha da Vitória” que aconteceu em São Paulo em 1964, contra o “avanço do comunismo” e a favor dos valores cristãos, antecedendo a intervenção militar no país. Ustra defendeu o período do regime militar e a anistia aos réus do 8 de janeiro. Também apresentou uma Frente Parlamentar de militares veteranos em Porto Alegre. “Se em 1964 o Brasil escolheu a liberdade, hoje temos o dever de continuar essa luta”, disse. (BPA)
MOBILIDADE - Jessé Sangalli (PL) informou sobre o retorno da EPTC em relação ao seu projeto de lei que visa a abertura de acesso para a avenida Farrapos. “Hoje de manhã o secretário me mandou uma mensagem mencionando que está na programação fazer aquela abertura. ” Também falou sobre o andamento da intervenção que solicitou para arrumar soluções para o grande trânsito em frente ao Colégio Marista Rosário e na avenida Antônio de Carvalho. “A prefeitura já confirmou a execução daquela intervenção que promete reduzir o congestionamento de quem sai do centro de Porto Alegre acessando ou a Osvaldo Aranha ou a Sarmento Leite.” (RR)
DITADURA - Giovani Culau (PCdoB) iniciou seu discurso lendo o relato de uma militante política torturada durante o regime militar no Brasil, sob comando do coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra. Ele condenou o discurso do vereador Coronel Ustra (PL) e afirmou: “Não houve revolução em 1964, houve um golpe, que matou, torturou e cassou mandatos parlamentares, inclusive nessa cidade”. Também chamou de “nojenta” e “horrorosa” a manifestação do vereador, afirmando que não pode ser concedida anistia aos réus do 8 de janeiro, por conta dos vestígios do regime militar na sociedade. (BPA)
RESPOSTA - Mauro Pinheiro (PP) utilizou tempo especial de resposta para refutar falas da vereadora Natasha Ferreira (PT) a respeito de sua pessoa, ditas na sessão plenária da semana passada. “Não costumo atacar vereadores, acho inclusive um desrespeito. Cometi sim alguns erros na minha vida e um deles foi começar na política no PT. Nós estamos aqui para trabalhar e melhorar a vida das pessoas e por isso estou aqui nesse plenário. A senhora me atacou porque eu disse que o PT está trabalhando para os banqueiros ao invés de trabalhar para os pobres. Eu sim trabalho pelo bem da cidade, pelo empreendedorismo e por uma cidade com qualidade de vida". (RR)
TOTALITARISMO - Mariana Lescano (PP) afirmou que o regime militar foi uma revolução democrática. “Nós temos que lembrar que foi um pedido do povo brasileiro, que não queria que o comunismo se instaurasse no Brasil.” Ela afirmou ser contra o totalitarismo e a ditadura e que, “por mim existiria a proibição de ter um partido comunista no Brasil”. Ainda pediu por anistia aos réus do 8 de janeiro, afirmando que hoje se vive um regime totalitário onde, “se tu pedir voto impresso, é ato antidemocrático. Se tu criticar a suprema corte, atentado à democracia. Se tu protestar contra o governo, é golpe de estado”. (BPA)
DILMA - Natasha Ferreira (PT) mostrou um vídeo contendo um discurso de Dilma Rousseff a respeito da tortura que passou durante a ditadura militar e questionou as apologias ao regime militar na sessão plenária de hoje. “Dilma é um símbolo daquela que venceu a tortura, a ditadura militar, os horrores dos porões que eles aqui celebram. Mas aqui os vereadores de direita falam em valores cristãos. E aí eu pergunto para vocês: botar rato na genitália de uma mulher é um valor cristão? Botar mulheres grávidas em pau de arara é um valor cristão? Esses são os valores que vocês pregam aqui? Vocês estão marcados na memória do povo brasileiro como os traidores que batem continência para os Estados Unidos da América.” (RR)
GOLPE - Pedro Ruas (PSOL) destacou a importância de relembrar o que aconteceu durante o golpe que deu início à ditadura militar no Brasil e contextualizou que haviam confrontos entre os golpistas, e que em 1984 os cidadãos brasileiros pediram pelas eleições diretas porque “não aguentavam mais a ditadura”, dando fim ao regime militar. Finalizou afirmando: “Essa tentativa ridícula do 8 de janeiro não tem a menor possibilidade de vingar, mas lembrem, principalmente as novas gerações, que de 1964 até 1985 a ditadura militar cometeu todos os crimes possíveis, caiu de podre e nunca vai voltar”. (BPA)
HIPOCRISIA - Fernanda Barth (PL) respondeu às falas da vereadora Natasha Ferreira a respeito dos valores defendidos pela direita. “Vocês comemoram cadáveres empilhados, esquerda hipócrita. Matar embaixadores é valor cristão? Não, é prática comunista. Dilma era uma criminosa, só foi eleita porque foi anistiada, seus hipócritas. Fuzilar homossexuais é valor cristão? Não, é prática desde Che Guevara dos comunistas. Marx e Engels odiavam os gays e lésbicas. Vão estudar História, mas vão estudar história de verdade, não com esses professores militantes doutrinadores que fizeram lavagem cerebral em vocês, pobres vítimas do sistema.” (RR)
REPÚDIO - Juliana de Souza (PT) condenou a ditadura e afirmou: “Com o passado, com as armas e hoje com a retórica jurídica, pretendem novamente atentar contra a democracia e o estado de direito”. Ela disse representar resistência e lutar pelo país, usando o impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff como exemplo de “golpe jurídico e midiático” e repudiando as falas de vereadores na tribuna a favor do regime militar. (BPA)
TOGA - Tiago Albrecht (NOVO) defendeu o deputado federal Marcel Van Hattem (NOVO) das acusações e ameaça de cassação de mandato por proferir falas contra o ministro Alexandre de Moraes na tribuna. “Nesse momento, o Brasil vive sim a ditadura da toga, onde um parlamentar gaúcho está sofrendo ameaças não tão veladas assim da suprema corte através da imprensa, com ameaça de perda de mandato pelo que ele fala na tribuna da Câmara Federal. Ora, não há democracia se um parlamentar não pode ter a liberdade de subir à cátedra e fazer denúncias. Ditadura nunca mais, nem de direita, nem de esquerda, muito menos no judiciário.” (RR)