Secretaria de Esporte solicita recursos para o paradesporto

A Comissão de Educação, Cultura, Esporte e Juventude (Cece) tratou na tarde desta terça-feira (1º) do incentivo ao paradesporto em Porto Alegre. Proposta pelo vereador Carlo Carotenuto (Republicanos), a reunião foi conduzida pelo presidente da comissão, vereador Rafael Fleck (MDB). O proponente destacou que os esportistas enfrentam dificuldades e que é necessário discutir formas de captar mais recursos para os atletas com deficiência física ou visual, além de viabilizar estruturas e emendas parlamentares para o paradesporto.
Liza Cenci, coordenadora do Paradesporto na Secretaria Municipal de Esporte e Lazer (Smel), apresentou o projeto do Centro de Referência Paralímpico na Capital. De acordo com Liza, o Centro contará com apoiadores públicos e privados, com estrutura para academias, quadras, piscinas e outros espaços para treino de diferentes esportes e modalidades, como futebol de surdos, vôlei sentado, entre outros. Também relembrou outras ações da pasta como o Festival Paralímpico com alunos da rede pública e a disponibilização de 20 bolsas de paratletismo e atletismo.
O secretário do Esporte, Júlio César de Souza Gonçalves, conhecido como Professor Tovi, enfatizou que existe um projeto tramitando na Câmara para ampliação do programa Bolsa Atleta para até 100 bolsas. Ele também afirmou que, em todos os ginásios que estão em reforma, a acessibilidade estará presente: “A gente está vendo um futuro bem legal na acessibilidade”. Sobre os ginásios em reforma, explicou que vários aguardam tramitação, mas que projetos como o do Centro de Comunidade Parque Madepinho (Cecopam), localizado no bairro Cavalhada, serão referência, sendo modernizado e sustentável, no prazo de seis anos.
José Arthur Furtado, atleta de natação paralímpica, relembrou sua trajetória no esporte: “Eu sou um atleta que está há sete anos treinando e se dedicando, e somente ano passado que surgiu a Bolsa Atleta municipal”. Ele fez um apelo à secretaria e aos vereadores presentes para que o esporte paralímpico seja visto e implementado nas redes de ensino. “Eu, quando estava na escola, ia para as aulas de Educação Física porque eu queria, porque não havia incentivo para um atleta cadeirante jogar basquete de cadeira de rodas na escola, não havia incentivo para um deficiente visual ir jogar bola numa quadra de futebol”, relatou.
A coordenadora e técnica de natação paralímpica, Fernanda Michaelsen, ressaltou a necessidade de descentralizar o Festival Paralímpico, para que moradores de regiões afastadas possam ter acesso ao evento. Também abordou a questão da educação superior para atletas. “A gente precisa enxergar que o atleta paralímpico tem uma carreira e quando chega o final dessa carreira, muitas vezes ele está totalmente dedicado ao esporte e se ele não tiver oportunidade e acesso ao estudo, o que que ele vai ser?”, questionou. Ela pediu uma rede de bolsas de estudos para que esses paraatletas possam desenvolver dentro da universidade aquilo que vivenciaram por meio do esporte.
Fernanda também informou que o Comitê Paralímpico Brasileiro comparecerá em Porto Alegre no próximo dia 5 para vistoria do Centro e realização do meeting paraolímpico brasileiro, que seleciona alunos para as Paralimpíadas Escolares em São Paulo, maior evento mundial de nível escolar para pessoas com deficiência.
Orçamento
Rodrigo Kandrik, diretor de esportes, recreação e lazer da Prefeitura, explicou que vem trabalhando com o paradesporto, dentro das limitações orçamentárias existentes. Ele pediu emendas parlamentares aos vereadores para desenvolver as atividades, como o transporte para atletas de paradesporto. Além disso, explicou que a secretaria conta com 19 unidades de paradesporto na cidade, entre praças, parques e centros comunitários, com professores e coordenadores para atividades em todos os turnos. A ampliação para noite e finais de semana ocorreu recentemente. “Muitos desses locais não tinham acessibilidade para uma pessoa entrar de cadeira de rodas. Os nossos centros foram construídos na década de 1970 e, de lá para cá, a gente não conseguiu fazer uma obra, porque vocês sabem que o orçamento do esporte é precário, praticamente não existe”, disse.
Os vereadores que compõem a comissão reforçaram que a pauta é muito significativa para a cidade e que, para além de emendas parlamentares, é necessária a criação de políticas públicas que estabeleçam um orçamento maior para a Smel agir no fomento do esporte. Também destacaram a necessidade de rever recursos para o esporte no Plano Plurianual (PPA), na Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) e na Lei Orçamentária Anual (LOA).